A Mostra Guritiba abre sua programação no 34º Festival de Curitiba nos dias 4 e 5 de abril, com sessões no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer (MON). E “Azul” inaugura esse primeiro final de semana trazendo para o palco uma narrativa sensível sobre diversidade, inclusão e construção de vínculos desde cedo. Os ingressos estão à venda no www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).

Uma história simples por fora… e enorme por dentro
A trama parte de algo cotidiano: a chegada de um novo bebê. Mas o espetáculo dá um passo além do óbvio e conduz o olhar para um tema que ainda aparece pouco no teatro infantil: o desenvolvimento atípico. A história é narrada por Violeta, uma menina que precisa lidar com o inesperado quando percebe que seu irmão, Azul, se relaciona com o mundo de maneira diferente.
É a partir dessa convivência que “Azul” constrói uma reflexão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), com delicadeza, sim, mas também com rigor. E isso é importante: a peça não cai na armadilha do didatismo nem daquela simplificação que subestima as crianças. Ela confia na inteligência emocional do público.
O que me chama atenção é que “Azul” não está só “falando sobre inclusão”. Ele se estrutura como uma experiência inclusiva de verdade. A encenação incorpora adaptações sensoriais e uma preparação específica da equipe para acolher o público neurodivergente, criando um ambiente mais acessível e confortável para crianças com TEA e suas famílias.
Ou seja: a inclusão não aparece como tema enfeitado. Ela aparece como prática e como forma de construir o espetáculo. E isso muda o impacto da experiência.

Uma dramaturgia que nasce da escuta
A dramaturgia é assinada por Andrea Batitucci e Gustavo Bicalho, e conta com consultoria de Cris Muñoz, que é pessoa autista e mãe de autista. Isso dá um chão ético para a obra: ajuda a construir uma narrativa comprometida com escuta e representatividade, buscando desmistificar o autismo e promover respeito à diversidade desde cedo, ampliando o repertório emocional e social do público.
No plano estético, “Azul” aposta no teatro de animação, com uso de bonecos e máscaras, criando uma atmosfera lúdica e simbólica que aproxima as crianças do universo da cena. A trilha sonora também é parte da narrativa, transitando entre marchinhas, blues, música erudita e minimalista reforçando a dimensão sensorial da peça e ajudando a construir o ritmo da história.

Antes da sessão, o Guritiba propõe um caminho de chegada
Outra parte bem bonita do Guritiba é que ele não começa só quando a luz apaga. Antes das apresentações, o público é convidado a participar do Muralzinho de Ideias, um espaço que estimula expressão, diálogo e escuta, preparando as crianças para a experiência artística e fortalecendo a relação delas com o teatro.
E isso faz sentido com o que o Guritiba vem construindo ao longo dos anos: a mostra se consolidou como um dos principais espaços de formação de público dentro do Festival de Curitiba, investindo em obras que tratam a infância com complexidade e responsabilidade artística.
E o fechamento da mostra vem com “Da Janela”
Depois de abrir com “Azul”, a Mostra Guritiba encerra sua programação nos dias 11 e 12 de abril com o espetáculo “Da Janela”.
O Guritiba é apresentado por Peróxidos do Brasil, com patrocínio de Ritmo Logística e da NTT DATA, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro. Para acompanhar novidades: @programa.guritiba.
Sobre o Guritiba
Criado em 2010 como um espaço dedicado às crianças dentro do Festival de Curitiba, o Guritiba apresenta espetáculos teatrais, musicais, contação de histórias e atividades educativas voltadas ao público infantojuvenil e suas famílias. Além da atuação no festival, o programa também desenvolve ações itinerantes e formações para educadores ao longo do ano, com foco em formação de plateia, estímulo ao pensamento crítico e acesso qualificado à arte e cultura desde a infância.
Ficha técnica
Texto e Dramaturgia: Andrea Batitucci e Gustavo Bicalho
Locução Rádio: Cleiton Rasga
Elenco: Alexandre Scaldini, Brenda Villatoro, Bruno de Oliveira, Carol Gomes, Edeilton Medeiros, Marise Nogueira e Tatá Oliveira
Direção Artística: Gustavo Bicalho e Henrique Gonçalves
Concepção, Criação e Confecção de Bonecos e Máscaras: Dante
Direção de Movimento dos Atores e Preparação Corporal: Paulo Mazzoni
Direção de Movimento dos Bonecos e Preparação Técnica Máscara Teatral: Marise Nogueira
Preparação Vocal :Verônica Machado
Consultoria para Acessibilidade e Inclusão: Cris Muñoz
Figurinos e Adereços: Fernanda Sabino e Henrique Gonçalves
Cenário, Adereços de Cena e Baleia: Karlla de Luca
Cenotécnico: Antônio Ronaldo
Direção de Palco: Alexandre Scaldini
Desenho de Luz: Rodrigo Belay
Operação de Luz: Poliana Pinheiro
Trilha Musical: Gustavo Bicalho
Desenho de Som: Luciano Siqueira
Operação de Som: Pedro Quintaes
Projeto Gráfico: Dante
Fotografia: João Julio Mello, Noelia Nájera e Vivian Gradela
Cinematografia: Chamon Audiovisual
Assessoria de Imprensa: Alexandre Aquino
Mídias Sociais: Tatá Oliveira
Produção: Marta Paiva
Direção de Produção: Henrique Gonçalves
Idealização: Artesanal Cia. de Teatro
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Patrocínio: Banco do Brasil
Serviço:
Azul – Mostra Guritiba
Local: Auditório Poty Lazzarotto – Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 899 – Centro Cívico)
Datas: 4 e 5 de abril, às 16 horas
70 min
Acessibilidade: sessões com tradução em Libras, audiodescrição, abafadores de ruído e acessibilidade arquitetônicaIngressos:www.festivaldecuritiba.com.br
Bilheteria física: Shopping Mueller (Piso L3)
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Uma resposta
“Azul” mostra que dá pra falar de inclusão com sensibilidade e profundidade desde cedo. Vale muito a pena conhecer mais ❤️👏🏻