“Apenas Coisas Boas”: Onde assistir o romance LGBTQ+ rural que virou um dos filmes brasileiros mais comentados de 2025

Antes de inciar sua leitura da matéria, se você entrou aqui buscando apenas o link para assistir o filme, vou polpar seu tempo. Só clicar nesse texto ao lado: ASSISTIR APENAS COISAS BOAS, que uma nova aba vai abrir com o streaming. Vale reforçar que “Apenas Coisas Boas” não está em nenhum Streaming “tradicional” aqui no Brasil, e sim na plataforma Pink Movie, independente de qual plataforma/ ferramenta você irá utilizar para assistir, cuidado com golpes, fraudes, etc. Bom Filme”

Se você assistiu a “Vento Seco”, sabe que Daniel Nolasco não tem medo do incômodo e “Apenas Coisas Boas” entra exatamente nessa zona. Quando o longa apareceu na programação do 14º Olhar de Cinema (Curitiba), em junho de 2025, ele já vinha com aquela aura de “tá todo mundo esperando”, não por hype vazio, mas porque era o segundo longa de ficção de um diretor que construiu uma assinatura própria: sensual, dura, direta, e ao mesmo tempo cheia de camadas.

Onde assistir Apenas Coisas Boas / Foto: Divulgação
 “Apenas Coisas Boas” / Foto: Divulgação

Um romance que não “se comporta”

O que faz “Apenas Coisas Boas” crescer na conversa e não morrer como “filme de festival que some depois” é que ele não tenta ser um romance “bonitinho”, nem te dá uma estrada emocional asfaltada. A história acontece em 1984, na zona rural de Catalão (GO), na região de Batalha dos Neves: Antônio vive isolado, dentro de um cotidiano que parece fechado para qualquer desvio. A vida dele muda quando Marcelo, um motociclista, sofre um acidente e acaba acolhido na propriedade. A partir daí, o filme vai no nervo: cuidado vira convivência; convivência vira desejo; e desejo vira risco quando o mundo ao redor é uma máquina de vigiar e punir.

E aqui tem um ponto que faz diferença na leitura: Nolasco não filma “um romance contra o sistema” com frases prontas. Ele filma o atrito. A repressão não é só o “vilão externo”; ela aparece entranhada no corpo, na pausa, no medo do que o outro vai entender, na violência simbólica que existe antes da violência explícita. O afeto nasce, mas nasce espremido.

O boca a boca de “Apenas Coisas Boas” tem muito a ver com o jeito como ele pede tempo e não faz concessão para ansiedade de narrativa. Tem gente que sai hipnotizada pela contenção, pelo erotismo e pela construção sensorial. Tem gente que sai irritada porque queria uma progressão mais “clássica”, com viradas fáceis de identificar.

Parte dessa discussão também passa por como o diretor encosta em códigos de gênero (inclusive um imaginário de masculinidade rural) para tensionar essa iconografia por dentro.

No Olhar de Cinema, o longa não levou o prêmio principal, mas saiu com um trio de troféus que, na prática, dá um recado muito claro sobre o que o filme é: Melhor Roteiro (para o próprio Nolasco), Melhor Som e Melhor Direção de Arte. Ou seja: não é só “tema”; é escrita, atmosfera e mundo construído com intenção.

Isso ajuda a explicar por que o filme ganhou vida depois do festival: porque esses prêmios não são “de simpatia”. Eles apontam para o que sustenta o longa quando acaba a conversa do plot.

A escalada fora do Brasil e o empurrão certo na hora certa

“Apenas Coisas Boas” também se fortaleceu porque não ficou restrito ao circuito local. Ele teve estreia mundial no Festival Internacional de Cine en Guadalajara e foi sendo reposicionado como um título brasileiro que conversa com uma tradição de cinema queer autoral sem “esterilizar” o interior, sem romantizar a repressão, sem transformar o desejo num adereço.

E tem um detalhe de bastidor que pesa muito, principalmente quando você escreve sobre “trajetória de festival” com credibilidade: o projeto aparece ligado ao ecossistema de apoio internacional LGBTQIA+. Há cobertura apontando “Only Good Things (Apenas Coisas Boas)” entre projetos apoiados pelo Frameline Completion Fund.

Isso não é “selo de qualidade automático”, mas é o tipo de reconhecimento que abre portas, dá visibilidade fora do Brasil e coloca o longa em radar de programadores, curadores e imprensa.

Veja o trailer:

Sinopse: Catalão, interior de Goiás, 1984. Antonio vive sozinho e isolado cuidando dos afazeres de sua pequena fazenda até o dia em que seu destino cruza com o de Marcelo, um motoqueiro solitário que sofre um acidente atravessando a região. Antonio cuida das feridas de Marcelo. Os dois se apaixonam e vivem uma história que transforma, desestabiliza e provoca rupturas em cada um deles.

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