Asa Branca – A Voz da Arena” traz história marcante do locutor de rodeios.

“Asa Branca – A Voz da Arena”, que estreia nos cinemas no dia 18 de dezembro, é um drama biográfico nacional estrelado por Felipe Simas no papel do lendário locutor de rodeios Asa Branca. O longa retrata a ascensão meteórica do peão que, após um acidente traumático com um touro, descobre sua verdadeira vocação nos microfones.

foto divulgação
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A história mostra como o personagem principal revolucionou a forma como os rodeios eram conduzidos no Brasil, transformando-os em verdadeiros espetáculos. A ambientação nos anos 90 dá ao filme um tom nostálgico e, em muitos momentos, cômico — como na cena em que Asa Branca utiliza um telefone sem fio em plena arena, impressionando a plateia.

Apesar da performance honesta e convincente de Felipe Simas, quem rouba a cena em diversas passagens é o talentoso Fábio Lago, mesmo em um papel coadjuvante. O elenco consegue sustentar a narrativa com carisma, mas o roteiro oscila entre momentos envolventes e outros em que o ritmo se arrasta, levando o espectador a checar o relógio em mais de uma ocasião.

O filme se propõe a explorar tanto o lado profissional quanto o pessoal de Asa Branca — do estrelato absoluto ao declínio motivado por drogas, festas, polêmicas e relações conturbadas. Há um recorte claro sobre o impacto da fama e das escolhas, sem poupar o protagonista das consequências de seus atos.

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Entretanto, o longa evita aprofundar temas mais polêmicos e urgentes, como os debates sobre o uso indevido de animais em rodeios, tema que chegou a ser citado em matérias ainda em 2020 como foco da obra. No fim das contas, o que se vê é uma abordagem mais centrada na figura do homem Asa Branca do que na crítica ao sistema onde ele se consagrou.

A produção, que teria tido um orçamento inicial autorizado de R$ 7,3 milhões via Lei do Audiovisual, mas levantou cerca de R$ 2,2 milhões até 2019, entrega uma obra com limitações visíveis. Falta um polimento técnico em algumas cenas, o que compromete a imersão, ainda que a ambientação de época tenha seus méritos.

Com uma estética simples, atuações comprometidas e uma história de vida potente, “Asa Branca – A Voz da Arena” é um filme que deve agradar especialmente ao público apaixonado por rodeios, cultura sertaneja e figuras carismáticas da vida real. Está longe de ser uma obra-prima do cinema nacional, mas funciona como retrato de uma era e de um personagem icônico.

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