A vida de Ney Latorraca sempre foi iluminada pelos palcos, marcada por atuações memoráveis, irreverência e uma profunda paixão pelo teatro. Neste sábado, 29 de março, o ator e escritor Edi Botelho, companheiro de Ney por quase 30 anos, recebeu uma homenagem especial em nome do grande ator durante a 33ª edição do Festival de Curitiba, que acontece até 6 de abril.

Durante uma cerimônia emocionante realizada na recém-inaugurada Sala de Imprensa Ney Latorraca, localizada no Hotel Mabu, Edi recebeu das mãos da diretora do Festival, Fabíula Passini, uma placa que destaca o legado inesquecível do ator:
“O 33º Festival de Curitiba presta homenagem a Ney Latorraca usando o seu nome num espaço dedicado à comunicação e à arte. Sua genialidade, irreverência e paixão pelos palcos marcaram para sempre o teatro brasileiro, deixando um legado que segue atravessando o tempo. Com profunda admiração e respeito do Festival de Curitiba.”
Emocionado, Edi Botelho afirmou que Ney ficaria extremamente feliz com a homenagem. “Tivemos um casamento lindo de quase 30 anos, uma parceria tanto pessoal quanto artística. Ney adorava ser reconhecido, e onde quer que esteja, certamente está nos vendo com um sorriso no rosto.”
Uma trajetória cheia de histórias inesquecíveis
Durante o encontro, Edi compartilhou diversas lembranças divertidas sobre Ney, como quando o ator, ainda jovem, tentou substituir ninguém menos que Paulo Autran numa peça da renomada atriz Maria Della Costa. Com apenas 16 anos e muita ousadia, Ney escreveu no espelho do camarim dela: “Ainda serei seu galã”. Dez anos depois, a promessa se concretizaria, com ambos contracenando em “Bodas de Sangue”, dirigida por Antunes Filho em 1973.
Edi relembrou também duas marcantes participações do casal no Festival de Curitiba: em 1995 com “Don Juan”, texto de Otávio Frias Filho dirigido por Gerald Thomas, e quase uma década depois, com “Entredentes”, do mesmo diretor, onde Ney cantava a valsa “Chão de Estrelas”.
O crítico teatral Gilberto Bartolo, presente no evento, recordou com carinho e humor os tempos de Ney na clássica montagem de “Hair” nos anos 1970: “O Ney tinha um humor único, meio cínico, mas sempre irresistível. Se ele te elogiasse, dava até pra desconfiar”, brincou.
Ney Latorraca e as capivaras
Curiosamente, a homenagem aconteceu no aniversário de Curitiba, cidade famosa pelas suas capivaras, adotadas como símbolo informal devido à grande presença desses animais nos parques locais. Ney tinha uma relação especial com esses roedores simpáticos durante suas caminhadas na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. Segundo Edi, ele era um defensor ferrenho das capivaras, chegando a discutir com quem maltratava os animais.
Legado que segue vivo
Ney Latorraca deixou uma marca profunda no teatro e na televisão brasileira, e sua genialidade continua inspirando novas gerações. A homenagem no Festival de Curitiba reforça o carinho do público e do meio artístico pelo ator, cujo legado permanece vivo.