Sabe quando a gente fala “Festival para Todos” e isso não fica só bonito no papel? A Mostra Surda de Teatro é exatamente esse tipo de ação. Ela chega à terceira edição reforçando a acessibilidade à arte e, principalmente, colocando no centro o protagonismo de artistas e produtores surdos, com programação que valoriza a cultura e a expressão artística em Libras.

O palco (e o ponto de encontro) desta mostra é a Capela Santa Maria, que vai receber estreias nacionais e trabalhos que convidam o público a experimentar outras formas de comunicação, presença e percepção sem aquela ideia de “adaptação” como exceção. Aqui, Libras é linguagem principal, é estética, é potência.
Estreias nacionais na Capela Santa Maria
Entre os destaques, a Capela Santa Maria recebe três estreias nacionais:
- “Sopro de Liberdade”, baseada na obra “O Grito da Gaivota”, em que Emanuelle Laborit narra sua história de vida como pessoa surda, compartilhando desafios e descobertas, especialmente a busca por identidade e autonomia.
- “Voz Invisível: Catharine Moreira”, uma performance poética que convida o público a interagir e experimentar comunicação por meio da expressão corporal e da Libras.
- “Gralha Azul Pinhão”, espetáculo que apresenta a língua de sinais como memória, cultura e continuidade de histórias.
Peças, slam e dança: Libras como arte, política e travessia
A programação segue forte com outros trabalhos que ampliam os temas e as linguagens:
- “Cangaceira Surda Mara”, sobre uma nordestina que viaja pelo Sertão disseminando a cultura surda por meio de histórias e brincadeiras.
- “OZ”, que conta a história de um casal que, desde cedo, aprende a reconhecer os limites impostos aos corpos e às formas de afeto.
- “Slam Resistência Surda”, evento de poesia em Libras realizado em Curitiba há 8 anos, que fortalece narrativas autorais, expressão artística e política da comunidade surda, ampliando a visibilidade da língua de sinais.
- “Encruzilhada”, montagem de dança de Elinilson Soares, resultado de sua pesquisa sobre acessibilidade e comunicação na dança, desenvolvida no Mestrado Profissional em Dança da UFBA. A obra investiga as intersecções entre as culturas surda e ouvinte, usando a dança como espaço de encontro e travessia.
E como não basta assistir — também dá pra aprender e experimentar, a Mostra Surda de Teatro traz duas oficinas na programação:
- “Como Contar Histórias para Crianças Surdas”
- “Axé Dança em Libras”
Leia também:
Mostra Fringe 2026: programação gratuita do Festival de Curitiba ocupa 70+ espaços e reúne cerca de 300 espetáculos
Festival de Curitiba anuncia 34ª edição com 435 atrações: ingressos à venda a partir de terça (10) no site e no Shopping Mueller
“Na Marca do Pênalti” no Festival de Curitiba: Casagrande transforma grandes viradas da vida em monólogo no Teatro Guaíra







Respostas de 4
Arte, inclusão e história no mesmo lugar.