Onde assistir “O Agente Secreto”? O thriller brasileiro de Kleber que virou “assunto” no Oscar 2026

Tem filme que chega “virando assunto” antes de cair no streaming. O Agente Secreto é exatamente esse tipo de obra: ele veste o thriller (espionagem, paranoia, perseguição), mas o que fica depois não é só a trama é a sensação de ter assistido a um Brasil que ainda respira dentro da gente, principalmente quando o filme encosta em memória e apagamento.

O Agente Secreto - Foto: Divulgação
O Agente Secreto – Foto: Divulgação

E aqui eu já falo do jeito que eu senti: a gente se acostumou a consumir muito cinema “explicado”, aquela lógica mais hollywoodiana em que o filme faz questão de sublinhar o tempo inteiro o que você tem que entender. Só que O Agente Secreto não vem pra te dar um manual. Ele confia no que está na tela. E confia, inclusive, no silêncio.

Isso muda tudo.

Um thriller ambientado em 1977 que usa Recife como clima, não como cenário

A história se passa em 1977, e acompanha Marcelo (Wagner Moura) tentando recomeçar a vida em Recife, vindo de São Paulo, carregando acusações e uma sensação de cerco que não para de crescer. O filme coloca o período histórico como estrutura: não é “época” decorativa, é um ambiente onde vigilância e medo entram no cotidiano como regra.

Pra mim, o que pega é a forma como a paranoia vira experiência física. Você sente que o personagem está sempre atrasado, sempre tentando entender o que já foi decidido por alguém maior. E no Brasil, né… “sumir” nunca parece só sumir.

Uma escolha que dá textura real pro filme é situar a chegada na semana do Carnaval. A cidade está cheia, barulhenta, viva. Em tese, é o lugar perfeito pra se misturar. Só que o filme vira essa lógica do avesso: no meio da multidão, qualquer gesto pode parecer suspeito.

Kleber Mendonça Filho tem uma assinatura muito específica: ele entrega narrativa, entrega tensão, mas raramente entrega “só entretenimento”. Em O Agente Secreto, o thriller vira uma chave pra abrir um tema que o Brasil vive empurrando: como a história pode ser apagada, recontada, varrida pra baixo do tapete.

E aqui entra um ponto que eu falei e continuo batendo: o filme não precisa amarrar tudo, não precisa “explicar final”, não precisa te dar uma placa escrita “ENTENDA ISSO”. Ele deixa o espectador trabalhar. E isso, pra mim, é parte do que torna o filme bonito, porque ele continua na cabeça depois.

Eu assisti com um amigo nordestino, e isso fez diferença de um jeito que eu não esperava. Enquanto eu reagia à trama, ele ia reconhecendo camadas do que o filme mostrava confirmando, reafirmando, trazendo vivência. Isso puxou o filme ainda mais pro presente. Não ficou “lá atrás”. Ficou agora.

Cannes 2025: quando o filme vira evento internacional

A trajetória internacional do longa ganhou uma proporção grande em Cannes 2025 e não foi “barulho pequeno”: o filme saiu de lá com Melhor Direção (Kleber Mendonça Filho) e Melhor Ator (Wagner Moura), além do Prêmio FIPRESCI (crítica internacional) e do Art House Cinema Award.

Esse tipo de pacote muda o destino de um filme na prática: abre portas, empurra distribuição, transforma o título em “filme do ano” aos olhos de muita gente inclusive de quem normalmente não acompanha circuito de festival.

E eu volto pra minha sensação de espectador: quando um filme brasileiro ocupa esse espaço, ele não vira só “orgulho”. Ele vira referência. Vira conversa. Vira comparação com o que a gente anda consumindo.

Quando chega no Oscar 2026, a conversa ganha outra camada não só pela visibilidade, mas pelo que isso sinaliza sobre como o cinema brasileiro pode ser percebido lá fora e aqui dentro. O filme recebeu 4 indicações: Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Elenco (Casting) e Melhor Filme Internacional.

E, pra serviço e contexto: a cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março de 2026, com Conan O’Brien como apresentador.

Por que O Agente Secreto é importante pro Brasil

Pra mim, ele importa porque mexe em feridas sem fazer isso de um jeito panfletário. Ele cutuca por estrutura.

1) Ditadura como mecanismo (não como wallpaper).
O controle aparece como algo que infiltra o cotidiano. Não é “contexto”; é motor.

2) Apagamento como método.
O filme trabalha a sensação de que versões podem ser manipuladas, registros podem desaparecer, identidades podem ser reconfiguradas e isso conversa direto com o Brasil real.

3) Recife como organismo vivo.
Não tem cartão-postal. A cidade observa, pulsa, ameaça e acolhe e isso dá ao thriller uma “carne” que muita produção não consegue.

4) Cinema de gênero sem perder densidade.
Você tem tensão, suspeita, perseguição, e ao mesmo tempo você está discutindo país (mesmo quando o filme não “discursa”).

Onde assistir O Agente Secreto no Brasil

Agora, o ponto que muita gente busca no Google: onde assistir O Agente Secreto?

1) Cinema
O status de sessões muda muito por região: ele pode estar em cartaz, em sessões especiais, ou voltando em programações de cinema de rua/arte, depende da praça.

2) Netflix (confirmado, mas sem data oficial)
Aqui o caminho está confirmado: a própria Netflix, em comunicado sobre a inauguração do escritório em São Paulo com Greg Peters, citou O Agente Secreto e afirmou que fez parceria com os produtores para financiar/licenciar, para o público assistir na Netflix no futuro, sem anunciar data.

Veículos brasileiros também reportaram que a Netflix é coprodutora e fez pré-licenciamento garantindo a inclusão no catálogo, mas a estreia ainda não tem previsão oficial.

Onde assistir O Agente Secreto: o filme pode estar disponível nos cinemas (dependendo da sua cidade) e vai chegar à Netflix, mas ainda não há data oficial.

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