Eu fui assistir The Drama sem ver trailer, como sempre, mas aqui temos altas expectativas e elas foram atendidas. A24 entregou mais um filme que me ganhou, porque o filme já começa de um jeito que te ganha. É bonito, é leve, é aquele tipo de romance que parece perfeito demais pra ser real, mas tudo muda também logo no início.

A gente conhece Emma e Charlie, que se encontram em uma cafeteria numa cena extremamente romântica, daquelas que fazem qualquer pessoa acreditar em amor à primeira vista. E é exatamente isso que acontece com eles, eles se conectam rápido, se apaixonam rápido e, naturalmente, já estão ali prestes a se casar. Tudo parece certo, tranquilo, definitivamente um relacionamento que quem olha de fora diz, PERFEITOS!
Mas não vamos falar sobre o “Felizes para Sempre”.
Tudo muda tão rápido, quase banal. Durante a degustação do buffet do casamento, entre taças de vinho e conversas descontraídas, surge uma pergunta que creio que a maioria não faria ou faria? Qual foi a pior coisa que você já fez na vida?
E a partir daí… tudo muda.
Sem entrar em detalhes do que exatamente é dito, não darei SPOILER, porque o que importa é o impacto dessa revelação. O que antes era segurança vira dúvida. O que era amor vira desconfiança. O mais interessante é que o filme não toma partido. Ele não diz quem está certo e quem está errado. Ele coloca a situação e deixa você ali, desconfortável, tentando entender até onde vai o limite do aceitável dentro de um relacionamento.
Porque não é só sobre o que ela fez no passado, mesmo sendo algo bem pesado. É também sobre como ele reage ao que ela fez no passado estando no presente. E, honestamente, eu fiquei o tempo inteiro me questionando, será que intenção pesa mais do que ação? Será que um erro pensado, mas não executado, é pior do que uma atitude impulsiva que realmente acontece? E o filme não responde isso. Ele só te deixa com essa dúvida.
As atuações ajudam muito a sustentar tudo isso. A Zendaya, percebo que tem uma caracteristica dela de atuação, sempre mais irônico, mais ácido, que funciona muito no personagem do filme. Ela consegue trazer uma personagem que, ao mesmo tempo, gera empatia e desconforto. Já o Robert Pattinson… ele vai construindo uma instabilidade emocional muito interessante. Você vê o personagem dele se perdendo aos poucos, se deixando levar por paranoia, por insegurança, por medo, cheio de Drama.

Tem momentos em que qualquer gesto simples vira ameaça na cabeça dele. Um olhar, uma fala, uma ação cotidiana, tudo ganha um peso completamente diferente. E isso vai criando uma tensão que cresce de forma silenciosa, mas constante. O filme também tem esse lado meio provocativo, que incomoda, você fica desconcertado, como se o filme estivesse te testando pra saber até onde você vai junto com aquela história.
E eu acho que isso vai dividir opiniões, não é um filme muito comercial, mesmo com dois atores extremamente conhecidos. Tem gente que vai sair incomodada, tem gente que vai amar, tem gente que vai discordar completamente do rumo da história. Mas é justamente esse tipo de filme que continua na cabeça depois que termina.
No fim, The Drama não é sobre um segredo específico. É sobre relacionamento, sobre o quanto a gente realmente conhece a pessoa que está do nosso lado. Sobre até onde a gente consegue ir quando descobre algo que muda completamente a forma como a gente enxerga o outro.
E talvez a reflexão mais incômoda seja essa: não se trata de encontrar alguém perfeito, porque isso não existe.
Mas de entender o que você consegue, ou não, aceitar.
The Drama já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.
⭐ Nota: 4 de 5
Leia também:







Uma resposta
Você mandou bem demais nesse texto Sarah, muito bom que você conseguiu entender perfeitamente a essência do que torna The Drama um filme tão incômodo e fascinante ao mesmo tempo. A transição rápida de um romance ‘perfeito demais’ para esse suspense psicológico é realmente o ponto alto da história. Concordo muito sobre as atuações: a Zendaya entrega essa acidez com maestria, enquanto é impossível não se sentir sufocado junto com a paranoia crescente do personagem do Robert Pattinson.