Olhar de Cinema divulga programação da 15ª edição: mais de 70 filmes, sessões em vários espaços de Curitiba e abertura na Ópera de Arame.

Eu amo quando festival divulga programação com antecedência porque dá tempo de fazer o que a gente realmente precisa fazer: planejar. E o Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba fez isso, já está com a grade oficial anunciada e vem com filmes do mundo inteiro, cinema independente, títulos que fogem do comum e sessões espalhadas pela cidade.

Foto divulgação
Foto divulgação

A 15º Edição do Olhar acontece de 4 a 13 de junho e vai ocupar alguns dos espaços mais importantes de Curitiba: MON (Auditório Poty Lazzarotto), Ópera de Arame, Cine Passeio, Cinemateca e Teatro da Vila.

E aqui vai uma informação importantíssima: os ingressos começam a ser vendidos em 12 de maio, com valores de R$8 (meia) a R$16, no site oficial www.olhardecinema.com.br. Além disso, o festival confirma sessões gratuitas no Teatro da Vila (CIC) e algumas também no MON.

15 anos de Olhar: “fugir do comum” como método

O Olhar chega aos 15 anos com aquela sensação de “não é mais promessa, é realidade”: crescimento constante, público aumentando, e uma curadoria que segue insistindo em buscar o diferente, mantendo a identidade do Olhar.

O co-diretor artístico Gabriel Borges fala justamente desse amadurecimento e da intenção de fugir do óbvio, com filmes de várias partes do mundo, produções que muitas vezes chegam antes de circular nacionalmente e uma grade pensada para diferentes idades.
E o diretor geral Antonio Gonçalves Jr reforça a ideia do festival como espaço de “diferentes olhares” (pauta, idade, direção, estilo).

Abertura na Ópera de Arame com telão gigante e filme brasileiro estreando ali

A abertura de 2026 será com o filme: “Yellow Cake”, de Tiago Melo, e vai ter estreia nacional na Ópera de Arame, com uma tela especial de mais de 400 polegadas, montada para receber um público de cerca de 1.500 pessoas.

O Filme “Yellow Cake” traz consequências imagináveis de um experimento conduzido por cientistas estrangeiros para erradicar o Aedes aegypti usando urânio. Quando a coisa dá errado, uma pesquisadora brasileira precisa agir, com ajuda de garimpeiros locais, antes que o desastre fique irreversível. No elenco, Rejane Faria (“Marte Um”) e Tânia Maria (“O Agente Secreto”).

O festival anuncia mais de 70 filmes entre curtas e longas, divididos em: Competitiva Brasileira, Competitiva Internacional, Novos Olhares, Mirada Paranaense Sanepar, Exibições Especiais, Olhares Clássicos Cine Passeio, Olhar Retrospectivo, Pequenos Olhares, além de filme de abertura e encerramento.

Mostras competitivas: Brasil e mundo disputando prêmio

As produções da Competitiva Brasileira e da Competitiva Internacional concorrem a prêmios como Melhor Filme, Direção, Roteiro, Atuação etc., com júri e também o público escolhendo Melhor Longa e Melhor Curta de cada competitiva.

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Competitiva Brasileira – Longas (8)

Aqui entram oito longas brasileiros, com duração e perfil bem diferentes:

  • “A Noite e os Dias de Miguel Burnier” (João Dumans | Brasil | 2026 | 80’) — amigos num distrito minerário, álcool, tédio e a insistência em seguir vivendo.
  • “Adulto/Homem” (Pedro Diógenes | Brasil | 2026 | 70’) — 20 rostos de atores esperando teste: o que um rosto entrega antes da fala?
  • “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha” (Janaína Marques | Brasil | 2026 | 92’) — Rosa, uma ressonância magnética e uma viagem subconsciente onde memória e invenção se misturam.
  • “Maxita” (Mariana Machado, Ana Maria Machado | Brasil | 2026 | 64’) — Davi Kopenawa em travessia entre Amazônia e Brumadinho, com Ailton Krenak e a ferida da mineração como fantasma real.
  • “Olhe Para Mim” (Rafhael Barbosa | Brasil | 2026 | 89’) — Marcelo, cemitérios, desaparecimento da mãe e uma viagem entre vivos e mortos.
  • “Quase Inverno” (Rodrigo Grota | Brasil | 2026 | 93’) — três irmãs retornam à fazenda, reencontro, militares e segredos do passado.
  • “Reparação” (Marcus Curvelo | Brasil | 2026 | 70’) — aos 35, Marcus e a mãe vão espalhar cinzas do pai; o mar vira corrosão íntima.
  • “Telúrica, a íntima utopia” (Mariana Lacerda | Brasil | 2026 | 104’) — a companhia Ueinzz ensaia o fim da Terra e, junto, ensaia pertencimento e sobrevivência comunitária.

Competitiva Brasileira – Curtas (8)

Oito curtas brasileiros, com temas que vão do íntimo ao político:

  • “Cerimônia” (Fabio Ramalho, André Antonio, Chico Lacerda | 2026 | 24’)
  • “Disciplina” (Affonso Uchôa | 2026 | 45’) — professora e aluno em confronto; a exceção vira regra e o futuro exige reconstrução do presente.
  • “Duwid Tuminkiz – Makunaima é Duwid?” (Gustavo Caboco Wapichana | 2026 | 15’) — memória viva Wapichana e o diálogo (tenso e necessário) com “Macunaíma”.
  • “Marimbã está acontecendo” (Maryn Marynho | 2026 | 15’) — sonhos, água, afetos e futuro possível para corpos dissidentes.
  • “O Segredo Sagrado” (Everlane Moraes | 2026 | 12’) — princesa Sikán e a noite eterna após injustiça.
  • “Pinguim de Doce de Leite” (Ana Vitória Miotto Tahan | 2026 | 22’) — uma madrugada goiana e lembranças sendo criadas.
  • “Pirexia” (Nico da Costa | 2026 | 20’) — febre, música, ex-amante e “melodia de cura” numa lua de sangue.
  • “Um Filme Para Lembrar da Utopia” (Reinaldo Cardenuto | 2026 | 20’) — arquivos dos anos 1960 e a utopia como força que mobiliza, mesmo inalcançável.

Competitiva Internacional – Longas (7) e Curtas (8)

A Internacional vem com longas de várias geografias, temas bem contemporâneos (petróleo como alavanca política; vício; trabalho; fé; assombros íntimos) e curtas que misturam musical, robô cirúrgico autoconsciente, videogame retrô, guerra “de brincadeira” com consequências e muito mais.

Longas:

  • “Um Calendário Incompleto” (Sanaz Sohrabi | Canadá/Irã/Turquia/Vanuatu/Venezuela | 2026 | 70’) — vinil de 1980, OPEP e solidariedades políticas nos anos 60/70.
  • “Bouchra” (Orian Barki, Meriem Bennani | Itália/Marrocos/EUA | 2025 | 83’) — relação à distância entre NY e Casablanca.
  • “Cartas a Meus Pais Mortos” (Ignacio Agüero | Chile | 2025 | 124’) — sonho e memória se misturam; mortos e vivos conversam.
  • “Se Pombos Virassem Ouro” (Pepa Lubojacki | Rep. Tcheca/Eslováquia | 2026 | 110’) — alcoolismo geracional, arquivo, texto e imagens com IA.
  • “A Noite Já Está Partindo” (Ramiro Sonzini, Ezequiel Salinas | Argentina | 2025 | 104’) — projecionista vira vigia e o cinema vira lar e comunidade.
  • “Não Me Deixe Morrer” (Andrei Epure | Romênia/Bulgária/França | 2025 | 108’) — corpo de vizinha, assombro cotidiano e noites longas.
  • “O Profeta” (Ique Langa | Moçambique/África do Sul | 2026 | 88’) — pastor em conflito recorre a poderes obscuros.

Curtas:

  • “Outra Terra” (Ben Russell | França | 2025 | 11’)
  • “Má Sorte” (Jan Eilhardt | Alemanha | 2025 | 17’) — musical interseccional com dançarinos com/sem deficiência.
  • “Desencaixar” (Danielle Kaganov | França | 2025 | 16’) — robô cirúrgico Da Vinci, autonomia e fronteira entre curar e matar.
  • “Dragão” (Yashira Jordán | Bolívia/México | 2025 | 27’) — adolescentes, videogame retrô e vingança.
  • “Cada Época Sonha com a Próxima” (Johannes Gierlinger | Áustria/Albânia | 2025 | 18’)
  • “O Inimigo” (Andrej Chinappi | Itália | 2025 | 17’) — brincadeira de guerra e consequências inesperadas.
  • “Nan Ginen” (Feguenson Hermogène | Cuba | 2025 | 22’) — culto, memória e migração haitiana em Cuba.
  • “Sussurros de um Perfume Ardente” (Mo Harawe | Somália/Áustria/Alemanha | 2026 | 28’) — tribunal, casamento, julgamento público e decisão irreversível.

Novos Olhares

Novos Olhares é onde o festival se permite ser mais radical. É a mostra que flerta com invenção e caminhos desconhecidos, buscando a radicalidade e o desprendimento das convenções.

Na programação:

  • “A Paixão Segundo GHB” (Gustavo Vinagre, Vinicius Couto | BR | 2026 | 82’) — realismo mágico num quarto gay, memória e futuro conversando com literatura brasileira.
  • “Como Todo Mortal” (Maria Molina Peiro | NL/ES | 2026 | 93’) — robô em planeta distante e mineração como paisagem entre Andaluzia e Marte.
  • “Gato na Cabeça” (Laila Pakalnina | Letônia | 2025 | 85’) — negativos achados no lixo e vidas imaginadas a partir deles.
  • “Joy Boy: Um Tributo a Julius Eastman” (Walking Backwards Collective | Bélgica/RDC/FR | 2026 | 64’) — constelação fílmica e sônica inspirada em Eastman.
  • “O Mez da Gripe” (William Biagioli | BR | 2026 | 85’) — Curitiba, gripe espanhola, arquivos e passado que não sossega.
  • “Passado Futuro Contínuo” (Firouzeh Khosrovani, Morteza Ahmadvand | Irã/NO/IT | 2025 | 76’) — exílio e vigilância como janela para a casa que não se pode voltar.
  • “Segunda Pele” (Dea Ferraz | BR | 2025 | 60’) — corpos de mulheres em jornada do marcado ao fluido, experimental e poético.

Pequenos Olhares: cinema para crianças

A seleção infantil vem com um longa e vários curtas pensados para dar aos pequenos uma experiência “de festival” (o que é muito diferente de só levar ao cinema em circuito comum).

Longa:

  • “Papaya” (Priscilla Kellen | BR | 2025 | 74’) — semente de mamão que quer voar e descobre o poder das raízes.

Curtas:
“A Menina que Queria ser Pedra”, “Aterro Zeitgeist”, “Canção de Peixes e Pássaros”, “Ecos do Amanhã”, “Kika Não Foi Convidada”, “Nosso Tempero”, “O Jardim Mágico”, “Theo”.


Mirada Paranaense Sanepar:

A Mirada Paranaense faz o panorama do audiovisual do estado com um olhar dedicado.

Longa:

  • “A Holandesinha” (João Gabriel Kowalski, Luisa Godoi | BR | 2026 | 90’) — documentário sobre Luiza Godoi Acosta, jovem com Síndrome de Down que sonha ser cineasta e realiza seu primeiro curta; o filme atravessa processo criativo, desafios, capacitismo e pertencimento.

Curtas:
“Enluarada”, “Estrelas Terrestres”, “Imunidade”, “Las Vegas, Cuba”, “O Caçador”, “Reza para Baobabs…”, “Tornar-se Ciborgue no Interior”, “Yvyra’ijá há Jate’í Reheguá…”.


Exibições Especiais: inéditos e filmes incontornáveis da temporada

Aqui entram obras inéditas no Brasil de grandes nomes e filmes brasileiros da temporada que chegam ao Olhar.

Na lista: “Anistia 79”, “Barbara Para Sempre”, “Flora & Airto: O Som Revolucionário”, “Futuro Futuro”, “Histórias de um Bom Vale”, “Rita Moreira: Crônicas, Memórias e Videotape”.


Olhares Clássicos Cine Passeio: clássicos que (re)ganham vida em festival

Seleção diversa de filmes que marcaram a história do cinema, em homenagem e também como conversa com o presente.

Entre eles: “Beirute Fantasma”, “Veludo Azul” (40 anos, e também no ano em que Lynch completaria 80), “Corações Desertos”, “As Aventuras do Príncipe Achmed”, “High School”, “Hollywood Studios”, “Aqui e em Qualquer Lugar”, “Eles Não Existem”, “Vento Norte”, “As Harmonias de Werckmeister”.


Filme de encerramento: estreia mundial

O encerramento da 15ª edição será com “Salvação” (“Kurtulos”), de Emin Alper, com estreia mundial no evento. A trama se passa numa aldeia remota nas montanhas turcas, onde o retorno de um clã reacende disputa de terras, visões perturbadoras e uma escalada de tensões religiosas e políticas.

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2º MECI: o mercado do cinema independente volta ao MON

Depois do sucesso do ano anterior, o Olhar traz o 2º MECI – Mercado do Cinema Independente, um espaço para conectar realizadores, distribuidores, exibidores, plataformas, canais e profissionais do audiovisual.

Acontece de 9 a 11 de junho, no MON, e tem informações em https://olhardecinema.com.br/meci e no Instagram @meci.brasil. Patrocínio master da Sanepar e patrocínio do Fomento Paraná.


Serviço do Olhar de Cinema 2026

15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
Data: 4 a 13 de junho de 2026
Ingressos: a partir de 12 de maio | R$8 (meia) a R$16 | site www.olhardecinema.com.br
Locais: MON, Ópera de Arame, Cine Passeio, Cinemateca, Teatro da Vila
Sessões gratuitas: Teatro da Vila (CIC) e algumas no MON
Redes: Instagram @olhardecinema | TikTok @olhardecinema | X/Twitter @Olhardecinema_


Dicas bem Sarah pra sobreviver ao Olhar (e não se frustrar)

  • Não espere a “programação final” pra comprar ingresso. Se você quer abertura na Ópera de Arame, corre. A capacidade é grande, mas a curiosidade também.
  • Aproveita as sessões gratuitas como porta de entrada
  • Escolhe uma mostra-âncora por dia (Competitiva/Novos Olhares/Novos Olhares/Clássicos)

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