Exit 8 transforma um corredor de metrô em um terror psicológico estranho, minimalista e incômodo

Exit 8 é um daqueles filmes que eu já sabia mais ou menos o que esperar, principalmente porque ele é baseado no jogo japonês de terror psicológico The Exit 8, lançado em 2023. Já vi pessoas jogando, então a proposta não era exatamente uma surpresa para mim. E talvez por isso eu tenha achado o filme interessante, mas não tudo isso que algumas críticas estão falando.

foto divulgação
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A história acompanha um homem perdido, interpretado por Kazunari Ninomiya, que se vê preso na saída de uma estação de metrô. Ele caminha por um corredor aparentemente comum, mas logo percebe que está em um looping. Para conseguir sair, ele precisa seguir regras bem simples: se encontrar alguma anomalia no ambiente, deve dar meia-volta. Se não encontrar nada estranho, pode seguir em frente. O problema é que qualquer erro faz ele voltar para o início, ele precisa acertar oito vezes se errar volta a estaca zero.

Não é sobre um terror cheio de sustos, monstros ou grandes cenas assustadoras. É sobre atenção, repetição e desconforto. Você começa a observar tudo: cartaz, luz, porta, pessoa passando, detalhe no chão, parede, tudo pode ser uma anomalia, e isso cria uma tensão silenciosa.

Eu gosto dessa estranheza que o cinema japonês consegue trazer. Tem algo meio teatral em algumas construções, algo que a gente também vê em mangás, animes e outras produções japonesas. Não sei explicar tecnicamente, porque não estudei isso a fundo, mas existe uma atmosfera muito própria. Às vezes parece exagerado, às vezes parece seco demais, mas ao mesmo tempo tem um incômodo que funciona. No caso de Exit 8, esse incômodo existe. O filme consegue criar uma sensação claustrofóbica. A câmera, o silêncio, a repetição e aquela ideia de que você pode estar deixando algo passar fazem a gente ficar preso junto com o personagem.

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O filme também tenta brincar com a linguagem. Em alguns momentos parece primeira pessoa, bem parecido com a experiência do jogo. Depois ele muda, coloca o homem perdido em terceira pessoa, como se dividisse a narrativa em capítulos. Eu gostei dessa dinâmica, porque ajuda a tirar um pouco da sensação de que estamos só vendo alguém andar pra frente e pra trás.

Não achei ruim, a proposta é diferente, é minimalista, é fiel ao jogo e tem uma atmosfera interessante. Só que também não achei essa obra surpreendente que parte da crítica está apontando. É um suspense psicológico que incomoda, mas não me deixou completamente impactada.

Vi gente comentando que o filme fica repetitivo depois de meia hora. Mas, sinceramente, ele é baseado em um jogo que é exatamente isso, a repetição faz parte da experiência, então eu acho meio curioso esperar que o filme vire outra coisa no meio do caminho. Ele é aquilo: um homem preso em um corredor, tentando entender se tem ou não tem anomalia. Se você compra essa proposta, funciona. Se não compra, provavelmente vai achar cansativo.

Para mim, o maior acerto está nessa sensação de desconforto. Não é sobre “vai acontecer algo assustador agora?”, mas sobre ficar em estado de alerta o tempo todo. É um terror psicológico mais silencioso, mais estranho, mais de observação.

Não é um filme de susto atrás de susto. É um filme para quem gosta de atmosfera, de estranheza, de proposta diferente. E eu gosto disso. Só não achei perfeito.

De 0 a 5, eu dou 3,5 estrelas.

Exit 8 é diferente do que a gente costuma ver nos cinemas, e isso já conta bastante. Talvez não funcione para todo mundo, mas, para quem gosta de suspense psicológico japonês e de experiências mais minimalistas, vale a sessão.


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