Malu Galli leva “Mulher em Fuga” ao Festival de Curitiba 2026; espetáculo transforma a história de Monique em retrato do Brasil

Mulher em Fuga acompanha Monique (mãe do autor francês Édouard Louis) em fases diferentes da vida, e o que aparece ali não é só “uma história íntima”. É quase um raio-x: como a vida de uma mulher da classe trabalhadora vai sendo empurrada, interrompida, silenciada… e como, ainda assim, ela insiste em recomeçar.

Mulher em Fuga no Festival de Curitiba 2026 - Foto: Joao Pacca
Mulher em Fuga no Festival de Curitiba 2026 – Foto: Joao Pacca

Entre luta e libertação, Monique vira retrato de muitas mulheres brasileiras que seguram a casa, viram chefes de família, improvisam saída onde não tem saída e seguem de pé, mesmo quando o mundo faz força pra dobrar.

“Mulher em Fuga” integra o Festival de Curitiba 2026 com apresentações nos dias 11 e 12 de abril de 2026, no Guairinha (Teatro Guaíra), às 20h30.

Da história de Monique para uma pergunta pública

O espetáculo tem dramaturgia de Pedro Kosovski e direção artística de Inez Viana, a partir de dois livros de Édouard Louis: “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher” e “Monique se Liberta”, e esse detalhe importa, porque dá o tom: não é só sobre uma mulher “sofrendo”. É sobre uma mulher tentando existir dentro de uma engrenagem que cobra caro do corpo, da autonomia e do tempo dela.

Malu Galli vive Monique, e é impossível ignorar o momento que ela atravessa: a atriz venceu o Kikito de Melhor Atriz no 53º Festival de Cinema de Gramado (2025) por “Querido Mundo”, filme dirigido por Miguel Falabella.

Isso não “explica” a peça, mas adiciona camada: ela chega ao Festival de Curitiba 2026 com uma presença que está em alta, com o público atento, e com a potência de uma atriz que sabe conduzir tema espinhoso sem transformar tudo em discurso pronto.

Tem um recurso que dá um nó na garganta por ser simples: Édouard Louis participa por voz off. É aquele tipo de escolha que coloca vínculo e distância no mesmo lugar, como se o filho narrasse, mas também tivesse que reaprender a escutar.

Mulher em Fuga chega cercada de atenção não só por temática (autonomia feminina, violência estrutural, trabalho invisível), mas porque ela não tenta “embelezar” o que dói. Ela organiza a experiência pra que a plateia perceba, no corpo, como as engrenagens sociais funcionam e como a libertação, quando acontece, não é mágica: é custo, é decisão, é ruptura.

E talvez seja por isso que a peça amplie conversa e alcance depois de estrear em São Paulo: quando o assunto é mulher tentando se libertar, não dá pra tratar como “um caso”. É coletivo. É repetido. É urgente.

Serviço

Mulher em Fuga no Festival de Curitiba 2026
📅 11 e 12 de abril de 2026
📍 Guairinha (Teatro Guaíra), Curitiba
🕣 20h30

Ficha técnica

Autor: Édouard Louis
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção artística: Inez Viana
Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli
Assistência de direção: Lux Nègre
Cenografia: Dina Salem Levy
Cenógrafa assistente: Alice Cruz
Desenho de luz: Aline Santini
Trilha sonora: Felipe Storino
Figurino: Ticiana Passos
Orientação de movimento: Denise Stutz
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: João Pacca
Designer: Opacca e Fernando Vilarim
Operador de luz: Paulo Maeda
Operador de som: Cauê Andreassa
Direção de produção: Gabriela Morato | Associação Sol.te
Coordenação geral de produção: Cícero de Andrade | Mosaico Produções
Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli, Matheus Ribeiro, Thais Cairo
Idealização: Tiago Martelli

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