Eu entrei em Um Cabra Bom de Bola com puca expectativa. Não porque eu duvide da Sony, mas porque a gente cresceu com um “molde” muito forte de animação (Disney/Pixar) e, quando aparece um estúdio indo por outro caminho, bate aquele receio de ser só bonito por fora e vazio por dentro.

Só que aqui rolou o contrário: o filme tem história, tem ritmo, tem carisma e tem uma identidade visual que deixa claro, desde os primeiros minutos, que ele não quer ser “um Zootopia genérico”.
E isso, hoje, já é meio caminho andado.
Do estúdio do Aranhaverso (e dos artistas de “Guerreiras do K-Pop”)
Se você sentiu (ou ouviu falar) que essa animação tem uma vibe diferente, tem motivo: Um Cabra Bom de Bola vem da Sony Pictures Animation, o estúdio por trás de Spider-Man: Across the Spider-Verse, e também é vendido como um projeto feito por artistas que trabalharam em KPop Demon Hunters (Guerreiras do K-Pop).
O coração do filme é simples (e funciona): uma cabra pequena, com sonho grande, ganha a chance de jogar berrobol (um esporte de contato total que lembra basquete, só que mais caótico e “animal” mesmo) num cenário em que tamanho e força parecem decidir tudo.
E aí vem o combo que eu adoro em filme assim:
- o time não acredita,
- o ambiente é hostil,
- o protagonista apanha (da vida e do ego dos outros),
- e ele precisa provar, na marra, que tem jogo.
Não é a trama mais revolucionária do mundo, mas a forma como o filme embala isso é o que faz ele ganhar.
O visual: não parece Disney, não parece Pixar… e ainda bem
O filme tem um estilo mais ousado, com sensação de movimento mais “marcada”, e uma direção de arte que chama atenção o tempo todo. Eu entendo totalmente quem associa a energia dele ao que a Sony vinha fazendo com o “estilo Aranhaverso” (mesmo sendo outra proposta).
E isso, pra mim, é o maior acerto: ele foge do genérico.
Animação, pra mim, é aquele momento em que dublado faz sentido. E o protagonista (Zeca Britto, na versão BR) tem uma dublagem com identidade.
O dublador Rafael Sadovski (de Mossoró/RN) fala justamente sobre trazer o sotaque com naturalidade e cuidado e eu acho que isso dá um tempero que foge do “neutro de sempre”. Pra mim, foi um daqueles casos em que a dublagem não só “traduz”: ela adiciona camada.

Lá fora, o filme saiu com CinemaScore A (que é uma pesquisa feita com o público na saída das sessões de estreia, com notas de A+ a F). Isso costuma indicar que quem viu… curtiu de verdade e tende a recomendar.
Eu não uso isso como “carimbo de qualidade absoluta”, mas como termômetro de reação: e, honestamente, faz sentido com o tipo de filme que ele é, acessível, divertido e com aquele espírito de “bora torcer pelo baixinho”.
Onde assistir Um Cabra Bom de Bola
No Brasil, Um Cabra Bom de Bola está em cartaz nos cinemas (estreia nacional em 12 de fevereiro de 2026, com duração de ~100 minutos e classificação indicada de 10 anos, segundo programações de cinema).
Assita o trailer:
Leia também:
- Onde assistir Pecadores (Sinners) no Brasil: review sem spoilers + por que o filme pegou tão forte
- Programação Risorama 2026: veja a agenda completa (03, 04, 06 e 07 de abril) e onde assistir em Curitiba
- Onde assistir “O Agente Secreto”? O thriller brasileiro de Kleber que virou “assunto” no Oscar 2026






