A Odisseia: Christopher Nolan entrega um épico grandioso com aroma de Oscar

Eu fui à cabine de imprensa de A Odisseia, o novo filme do nosso querido Christopher Nolan, e vou começar esta crítica da maneira mais direta possível: para mim, é impossível dar menos de cinco estrelas.

foto divulgação
foto divulgação

É um dos melhores filmes do ano.

E, sinceramente, já podem começar a preparar um espaço na prateleira, porque eu senti um forte aroma de estatuetas vindo por aí.

A Odisseia tem aproximadamente duas horas e cinquenta minutos de duração, praticamente três horas de filme, mas em nenhum momento eu senti esse tempo passar. Não fiquei cansada, não senti sono e não tive vontade de olhar o relógio. E olha que eu assisti ao filme duas vezes no mesmo dia.

No período da manhã, participei da cabine de imprensa. À noite, tive a oportunidade de assistir novamente durante a pré-estreia. Foram duas sessões e, nas duas, tive a mesma sensação: eu poderia continuar acompanhando aquela jornada por ainda mais tempo.

Christopher Nolan consegue fazer quase três horas passarem como se fossem muito menos.

A história, obviamente, não é uma novidade. Estamos falando da jornada de Odisseu, também chamado de Ulisses na tradição romana, tentando retornar para casa após os anos de batalha na Guerra de Troia. Conhecemos o Cavalo de Troia, Calipso, Circe, a flor de lótus e grande parte dos obstáculos enfrentados durante seu retorno a Ítaca.

Mas o fato de conhecermos essa história não diminui em absolutamente nada a experiência.

O grande triunfo de Christopher Nolan está justamente na forma como ele transforma uma narrativa tão conhecida em algo completamente imersivo. A sensação é de que estamos vendo aquela história pela primeira vez.

Uma experiência criada para a tela IMAX

Todo o filme foi pensado para a grandiosidade da tela IMAX, e eu tive a oportunidade de assistir na supertela do IMAX em Curitiba. A experiência foi absurda.

A fotografia é tão bonita que existem momentos em que você simplesmente para e pensa: “Meu Deus, que imagem é essa?”. Cada paisagem, cada batalha, cada entrada de luz e cada composição parecem ter sido cuidadosamente planejadas para envolver completamente o público.

Você não sente que está apenas assistindo à jornada de Odisseu.

Você sente que está dentro dela.

O roteiro também está impecável. Existe uma sintonia muito grande entre a ação, os diálogos, as batalhas, os momentos de silêncio e as características de cada personagem. Tudo faz sentido dentro daquele universo.

Uma das cenas que mais representa esse cuidado é a saída dos soldados de dentro do Cavalo de Troia.

Durante muito tempo, crescemos vendo aquela imagem quase romantizada do cavalo entrando na cidade, como se fosse apenas um grande presente sobre rodas. Em A Odisseia, Christopher Nolan traz uma realidade muito mais física e desconfortável.

Aqueles homens ficaram escondidos durante muito tempo dentro de uma estrutura apertada, sem espaço, sem conforto, praticamente sem comer, cercados pelo próprio suor, pela urina e por toda a sujeira de uma situação como aquela. Quando Odisseu finalmente sai de dentro do cavalo, ele está mancando.

E é um detalhe que faz todo o sentido.

Provavelmente sua perna adormeceu. Ele ficou agachado por horas, talvez dias. Essa preocupação com o corpo, com o tempo e com as consequências de cada situação faz com que a história pareça muito mais humana.

O mesmo acontece quando Odisseu volta a lutar depois de passar anos afastado das batalhas. Ele continua sendo um guerreiro forte e experiente, mas está enferrujado. Ele apanha, demora a recuperar o ritmo e precisa se readaptar.

Faz anos que aquele homem não luta.

E isso aparece em cena.

Odisseu nunca foi definido apenas pela força. Uma das suas maiores características sempre foi a inteligência, e o filme entende isso perfeitamente. O retorno dele não depende apenas da habilidade física, mas da estratégia, da observação e da capacidade de sobreviver usando a própria mente.

Um elenco grandioso em uma obra monumental

O elenco de A Odisseia é simplesmente absurdo.

Matt Damon lidera a história, mas ao seu redor estão Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya, Lupita Nyong’o, Tom Holland, Charlize Theron, Jon Bernthal e muitos outros nomes gigantescos.

E quando eu digo que todo mundo funciona, é todo mundo mesmo.

Do protagonista aos personagens que aparecem por menos tempo, do rei ao mendigo, cada presença parece ter sido escolhida com muito cuidado. Não existe uma atuação que diminua o nível do filme.

As expectativas criadas por um elenco desse tamanho eram enormes, mas foram completamente atendidas.

Matt Damon entrega um Odisseu forte, inteligente, cansado e extremamente humano. A gente percebe o peso do tempo, das perdas e de tudo o que ele viveu durante aquela jornada.

Entre tantas cenas grandiosas, duas ficaram especialmente marcadas para mim.

A primeira é o encontro com Circe, a feiticeira que transforma os soldados em porcos. A sequência é angustiante, desconfortável e, ao mesmo tempo, maravilhosa. A forma como aquela transformação é apresentada cria uma sensação muito forte de horror e impotência.

A segunda é a passagem pelo mundo dos mortos, quando eles realizam um ritual para falar com aqueles que já morreram e tentar encontrar o caminho de volta para casa.

Toda essa sequência ligada ao Hades é puro cinema.

A atmosfera, a fotografia, o som e a maneira como o ambiente é construído transformam a cena em uma das experiências mais impactantes do filme.

O desenho de som, aliás, contribui muito para a imersão. Em alguns momentos, senti o volume extremamente alto, chegando a produzir um pouco de ruído. Mas não sei dizer se isso fazia parte da mixagem ou se estava relacionado à posição em que eu me encontrava e ao sistema da própria sala.

É apenas uma observação, porque, diante de tudo o que o filme entrega, isso não alterou minha experiência.

Depois da sessão, conversando com outras pessoas que também assistiram ao filme, surgiram comentários sobre uma coisinha ou outra que poderia ser diferente. Mas a verdade é que há muito mais coisas que eu amei do que pontos que poderiam me incomodar.

E é justamente sobre isso.

Não importa se o filme tem um ou dois pequenos defeitos.

Para mim, ele continua sendo cinco estrelas.

A Odisseia é uma obra grandiosa, imersiva e extremamente bem construída. Christopher Nolan respeita a inteligência de Odisseu, a força da obra de Homero e a experiência do público dentro de uma sala de cinema.

É o tipo de produção que lembra por que determinados filmes precisam ser vistos na maior tela possível.

Saí das duas sessões com a sensação de ter assistido a um dos grandes acontecimentos cinematográficos de 2026. E, mesmo depois de quase seis horas acompanhando essa história no mesmo dia, eu assistiria novamente.

Nota: 5 de 5 estrelas.

A Odisseia estreia nos cinemas brasileiros em 16 de julho de 2026. E, caso você tenha a possibilidade de escolher, assista em uma sala IMAX. Esse filme foi criado para ser vivido dessa maneira.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Continue lendo

Artigo relacionado

A Odisseia: Christopher Nolan entrega um épico grandioso com aroma de Oscar

Inspirado na obra de Homero, A Odisseia acompanha a longa jornada de Odisseu para retornar a Ítaca após a Guerra de Troia. Christopher Nolan transforma uma das histórias mais conhecidas da literatura em uma experiência cinematográfica monumental, com quase três horas de duração, imagens impressionantes, batalhas intensas e um elenco gigantesco.