Eu definitivamente não sei descrever toda a angústia que Cara de Barro me causou. O filme combina body horror, ficção científica e um drama tão envolvente que eu terminei impressionada. A violência incomoda, a maquiagem chama a atenção e o envolvimento com o protagonista faz cada transformação pesar ainda mais.

Dirigido por James Watkins, o longa da DC Studios me ganhou pela forma como desenvolve seu personagem central.
Matt Hagen, interpretado por Tom Rhys Harries, é um ator em ascensão. Bonito e com a carreira decolando, ele vive aquele momento em que tudo parece caminhar para o sucesso. Até se envolver com Mia, personagem de Joana Ribeiro, sem saber que ela é a namorada do mafioso Markos, vivido por David Dencik.
A consequência é brutal. Matt tem o rosto desfigurado em uma agressão que destrói justamente a imagem associada à sua carreira. O rosto de milhões é dilacerado diante dos nossos olhos, em uma sequência que dá uma aflição enorme.
Desesperado para recuperar a aparência, ele procura a doutora Caitlyn Corr, interpretada por Naomi Ackie. Ela trabalha em um tratamento experimental, e Matt aceita se tornar cobaia mesmo diante dos possíveis riscos. É dessa decisão que nasce o horror corporal de Cara de Barro.
Tom Rhys Harries é a grande surpresa de Cara de Barro
Eu não conhecia Tom Rhys Harries – eu realmente sou péssima com nomes, sorry – e fiquei impressionadíssima com a atuação dele. Existe uma força na maneira como conduz esse personagem que me fez acompanhar sua trajetória com muito envolvimento.
A apresentação de Matt me lembrou a imagem de Leonardo DiCaprio: um astro bonito, desejado e cercado pela expectativa de uma carreira enorme. É uma aura que também associo a Robert Pattinson. Essa comparação tem a ver com o lugar que o personagem ocupa naquele universo e com o quanto sua aparência faz parte dele.
E que maquiagem, gente. O trabalho impressiona pela maneira como torna a violência e a transformação do corpo difíceis de encarar.
A câmera mostra a faca rasgando a pele do protagonista. A agressão é explícita, e acompanhar aquele rosto sendo destruído provoca uma agonia física. Foi um dos momentos em que mais senti a força desse terror da DC.
A lembrança de A Substância veio justamente dessa sensação de desconforto. Para mim, o horror corporal daquele filme é ainda mais extremo. Mesmo assim, senti aqui uma aflição muito parecida, daquelas que fazem a gente se contorcer enquanto assiste.
Em Cara de Barro, a maquiagem se liga ao drama do personagem. Cada alteração no seu rosto pesa porque estamos envolvidos com sua tentativa de recuperar a própria vida. Essa combinação entre o que vemos e o que sentimos por ele funciona muito bem.
Uma identidade que merece ser reconhecida
Gostei muito do roteiro e da proposta do filme. Também gostei da identidade que James Watkins trouxe para essa história, encontrando uma forma de aproximar a angústia do protagonista do horror das suas transformações.
Eu entendo a vontade de comparar uma obra com os trabalhos anteriores de seu diretor. Ao assistir, porém, gosto de perceber o que aquele filme tem de próprio. Aqui, essa personalidade aparece na relação entre o drama, a violência e a ficção científica.
Eu nem sabia que o personagem fazia parte do universo do Batman. Descobrir essa ligação foi uma surpresa, e consegui me envolver com sua história mesmo sem conhecer sua origem nos quadrinhos. Clayface me conquistou pelo que apresentou em tela.
Vale a pena assistir a Cara de Barro?
Para mim, vale muito. Gostei da proposta, do desenvolvimento do protagonista e, principalmente, da atuação de Tom Rhys Harries. A maquiagem completa essa experiência angustiante de um jeito que me impressionou.
Minha nota é 4,5/5. Existe uma situação específica de que não gostei tanto, mas prefiro guardar esse comentário para preservar a experiência de quem ainda vai assistir. É o ponto que me impede de chegar às cinco estrelas.
Ainda assim, Cara de Barro foi uma baita surpresa. Um terror de ficção científica sensacional, com um drama que me envolveu e um body horror que me deu muita agonia. E eu já quero ver uma continuação dessa história.
Nota: 4,5/5.





