O longa-metragem pernambucano “Segunda Pele”, dirigido por Dea Ferraz, estreou oficialmente no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. A exibição aconteceu no dia 9 de junho, na Cinemateca de Curitiba, dentro da mostra competitiva Novos Olhares, dedicada a obras de linguagem inventiva e caráter experimental.

Além disso, a sessão contou com debate com a realizadora, aproximando o público do processo criativo do filme e das questões que atravessam a obra.
Com produção executiva de Carol Vergolino e Hudson Wlamir, “Segunda Pele” integrou a programação da 15ª edição do festival, que há 15 anos se firma como um dos espaços mais importantes para a visibilidade e o fortalecimento do cinema autoral brasileiro.
Segunda Pele integrou a mostra competitiva Novos Olhares
Selecionado para a mostra Novos Olhares, “Segunda Pele” marcou presença em uma das seções mais voltadas à experimentação estética do Olhar de Cinema.
A mostra reúne filmes que investigam novas formas de linguagem, narrativa e construção audiovisual. Por isso, a presença do longa de Dea Ferraz dialogou diretamente com a proposta da seção.
Produzido pela Alumia Filmes, pelo Coletivo Lugar Comum e pela Parea Filmes, com apoio de editais do Funcultura, o filme propõe uma travessia sensorial e poética sobre os corpos que habitamos.
Que corpo habitamos?
Essa é a pergunta que mobiliza a criação de “Segunda Pele”.
A partir dela, o filme constrói uma jornada que parte do corpo marcado, vigiado e normatizado até chegar ao corpo livre, em mutação e em simbiose.
Dessa forma, a obra se afirma como um gesto de fabulação entre presente e futuro. Ao mesmo tempo, também funciona como um manifesto feminista pela libertação dos corpos e pela reinvenção dos modos de existir.
Filme nasceu de uma criação coletiva
De acordo com Dea Ferraz, a ideia para o filme surgiu a partir de um processo de construção coletiva com o Coletivo Lugar Comum.
A diretora conta que o projeto nasceu do convite feito pelo grupo de artistas, que já havia criado um espetáculo homônimo. No entanto, desde o início, a proposta não era apenas transpor a peça para o cinema.
“Segunda Pele é um presente que recebi do Coletivo Lugar Comum, esse grupo de artistas maravilhosas, que tanto me inspiram, e que um dia me convidaram para fazer o filme do espetáculo homônimo. Lembro que já na primeira reunião perguntei se tínhamos que transpor o espetáculo para o cinema ou se podíamos partir do mote para algo novo. Claro que a resposta foi unânime: podemos fazer o que quisermos. Depois de dois anos de imersões e encontros, nasce o filme”, explicou Dea Ferraz.
Com isso, “Segunda Pele” nasceu de dois anos de encontros, imersões e experimentações entre cinema, performance, corpo e presença.
Elenco reúne artistas do Coletivo Lugar Comum
O elenco do filme é formado pelas artistas do Coletivo Lugar Comum: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William.

Em cena, elas compartilham corpos, medos e desejos. A partir de experiências pessoais, constroem um pensamento em rede sobre existência, liberdade e transformação.
Além disso, a câmera de Dea Ferraz não observa essas mulheres à distância. Pelo contrário, ela se move junto, dança junto e cria uma intimidade que transforma o olhar em presença.
Um filme feito com e por mulheres
Para Dea Ferraz, “Segunda Pele” se apresenta como um mergulho poético e livre nos corpos que carregamos.
“É de forma poética e livre, que o filme se apresenta como um mergulho nos corpos que carregamos. Segunda Pele é feito com e por mulheres, demarcando um cinema que quebra paradigmas hegemônicos e acredita na força da imagem como construção de imaginário simbólico. Um convite ao sentir, mais do que ao pensar, Segunda Pele é um filme que borra os limites do cinema narrativo tradicional, acionando outras formas expandidas de relação com a imagem”, destacou a diretora.
Nesse sentido, o longa se aproxima de uma experiência sensorial. Mais do que explicar, ele convida o público a sentir.
Por isso, “Segunda Pele” também se distancia de uma narrativa tradicional e busca outras formas de relação com a imagem.
A potência poética da imagem em Segunda Pele
Com mais de duas décadas dedicadas ao audiovisual, Dea Ferraz também atua como pesquisadora e artista visual.
Em “Segunda Pele”, essa trajetória aparece em uma investigação sobre imagem, sensibilidade e corpo. Além disso, o filme confronta o excesso imagético do mundo contemporâneo, especialmente em um tempo marcado por redes sociais, publicidade e imagens transformadas em produto.
Para a diretora, sua busca está ligada ao desejo de reencontrar a imagem em sua potência poética.
“Vivemos cercados por uma infinidade de imagens. Mas que imagens são essas que nos invadem? É a imagem do espetáculo, da publicidade, do comércio. É a imagem que vira produto. Então, o que tento em meus trabalhos é reencontrar a imagem em sua potência poética. O que as imagens são capazes de produzir em nós que não seja o adoecimento dos nossos corpos?”, refletiu Dea.
A diretora também relaciona essa pesquisa ao impacto das redes sociais.
“As redes sociais, por exemplo, nos causam adormecimento e apatia, as imagens ali nos descolam de nós. Meu desejo é investigar quais imagens nos devolvem ao corpo, à presença, ao sentir. Quero que o espectador se reconheça vivo, que se implique com as imagens que vê, que as complete. É uma tentativa de pensar o cinema operando como um antídoto para a nossa realidade”, completou.
Segunda Pele passou pelo Olhar de Cinema
A estreia de “Segunda Pele” no Olhar de Cinema reforçou a presença do cinema pernambucano na programação do festival.
Além disso, a obra também ampliou o espaço para produções feitas por mulheres, para o cinema experimental e para narrativas que investigam corpo, imagem e subjetividade.
Com sua passagem pela mostra Novos Olhares, o longa se apresentou como uma experiência audiovisual que atravessa performance, manifesto, poesia e pensamento feminista.
Ficha técnica
Filme: Segunda Pele
Direção: Dea Ferraz
Produção executiva: Carol Vergolino e Hudson Wlamir
Direção de produção: Lu Teixeira
Produção: Alumia Filmes, Coletivo Lugar Comum e Parea Filmes
Criação coletiva: Dea Ferraz, Liana Gesteira, Maria Clara Camarotti, Maria Agrelli, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William
Artistas performers: Liana Gesteira, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti, Renata Muniz, Sílvia Góes e Sophia William
Assistentes de produção executiva: Duda Menezes e Patrícia Gonçalves
Direção de fotografia: Dea Ferraz e Rafael Amorim
Direção de arte: Maria Agrelli e Luciana Raposo
Câmera: Dea Ferraz
Câmera adicional: Rafael Amorim
Som direto: Lara Bione
Assistente de produção: Bruna Sales
Luz: Luciana Raposo
Assistente de luz: Pipia
Assistente geral: Erivaldo Rocha
Montagem: Joana Collier
Roteiro: Dea Ferraz e Joana Collier
Coordenadora de edição: Suchi Barbosa
Desenho de som e mixagem: Kiko Santana
Cor: Rafael Amorim
Acessibilidade: All Dub
Arte gráfica: Clara Moreira
Gerente de festivais: Henrique Amud
Serviço
Filme: Segunda Pele
Direção: Dea Ferraz
Mostra: Novos Olhares
Festival: 15º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
Sessão: 9 de junho
Local: Cinemateca de Curitiba
Observação: sessão seguida de debate com a realizadora
Leia também:






