Barbara Forever: documentário celebra a trajetória de Barbara Hammer, pioneira do cinema lésbico

Barbara Forever é um documentário dirigido por Brydie O’Connor que revisita a vida, a obra e o impacto cultural de Barbara Hammer, cineasta experimental, feminista e ativista lésbica que ajudou a transformar a representação de corpos, desejos e histórias LGBTQIAP+ no cinema. O longa é uma produção dos Estados Unidos, com aproximadamente 102 minutos, e integra a programação do Olhar de Cinema 2026, na categoria Exibições Especiais.

Mais do que uma cinebiografia tradicional, Barbara Forever se constrói como um mergulho de arquivo. Ao longo da narrativa, o filme reúne imagens pessoais, registros de bastidores, trechos de obras, escritos, gravações e memórias que ajudam a compor um retrato íntimo de uma artista que fez da própria vida um gesto político. Além disso, o documentário utiliza a própria voz de Hammer como guia e costura filmes, vídeos caseiros, fotos, áudios e entrevistas com sua companheira de longa data, Florrie Burke, para contar a trajetória da cineasta.

Foto: divulgação

Quem foi Barbara Hammer?

Barbara Hammer nasceu em 15 de maio de 1939 e morreu em 16 de março de 2019Ao longo de sua carreira, realizou mais de 90 obras audiovisuais, além de performances, instalações, fotografias, colagens e desenhos. Por isso, seu trabalho é reconhecido por abrir caminhos para o cinema queer e para a representação lésbica em um período em que essas imagens quase não existiam nas telas.

Já nos anos 1970, Hammer começou a filmar o próprio corpo, seus relacionamentos, seus desejos e sua comunidade. Embora esse gesto possa parecer mais comum dentro do audiovisual contemporâneo, naquele contexto ele era profundamente radical. Em uma época marcada pelo fortalecimento do movimento feminista nos Estados Unidos, ela decidiu registrar aquilo que o cinema, em grande parte, ignorava.

Além disso, sua filmografia atravessa temas como identidade, gênero, sexualidade, envelhecimento, doença, memória e desejo. Nesse sentido, filmes como Dyketactics e Nitrate Kisses são frequentemente citados entre seus trabalhos mais importantes, justamente porque enfrentam censuras simbólicas e históricas em torno do corpo lésbico e da experiência queer.

A força política de filmar o próprio desejo

Barbara não filmava apenas para criar imagens bonitas ou experimentais. Ela filmava para provar existência. Por meio de seus filmes, registrava corpos reais, afetos, práticas sexuais, envelhecimento, intimidade e comunidade com uma liberdade que chama atenção.

Um dos momentos mais significativos de Barbara Forever acontece quando Florrie, companheira de vida de Barbara Hammer, lê trechos do livro autobiográfico HAMMER! Making Movies Out of Sex and Life. Em uma das passagens, Barbara afirma: “Gostaria de deixar para trás um grande corpo de trabalho para as gerações futuras.”Em outra, completa: “Quero inspirar outras pessoas a confiar em si mesmas e em seus talentos pessoais.” 

O documentário revela uma artista consciente da força de sua obra e da importância de criar imagens para quem viria depois. Como consequência, sua produção abriu caminhos para outras mulheres, cineastas lésbicas e artistas queer confiarem na própria voz, no próprio corpo e na própria forma de existir no cinema.

Por fim, cada imagem de Barbara Hammer carrega uma afirmação: corpos lésbicos existem, desejos lésbicos existem, histórias lésbicas existem. Mais do que isso, essas existências merecem ser filmadas em seus próprios termos.

Leia mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Continue lendo

Artigo relacionado

Barbara Hammer

Barbara Forever: documentário celebra a trajetória de Barbara Hammer, pioneira do cinema lésbico

Barbara Forever é um documentário dirigido por Brydie O’Connor que revisita a vida, a obra e o impacto cultural de Barbara Hammer, cineasta experimental, feminista e ativista lésbica que ajudou a transformar a representação de corpos, desejos e histórias LGBTQIAP+ no cinema. O longa é uma produção dos Estados Unidos, com aproximadamente 102 minutos,