O Afinador: filme com Leo Woodall mistura música e suspense

Na segunda-feira, tive a oportunidade de assistir O Afinador, filme que chega aos cinemas com o título original Tuner. A sinopse é bem direta em relação à premissa: Niki é um afinador de pianos talentoso, dono de uma audição excepcional, cuja habilidade chama a atenção de criminosos. O que começa como uma capacidade rara ligada à música acaba se transformando em ferramenta para abrir cofres com precisão, levando o protagonista para uma vida dupla cada vez mais perigosa.

O Afinador Cred: Divulgação
O Afinador Cred: Divulgação

Antes de falar do filme em si, vale um ponto pessoal: eu não gosto de ler muita coisa, assistir trailer ou consumir qualquer material antes de ver um filme. Gosto de chegar mais limpa possível, sem deixar que uma frase de divulgação ou uma cena escolhida para o trailer interfira na minha percepção.

E talvez por isso O Afinador tenha funcionado tão bem em alguns aspectos para mim. O filme me surpreendeu principalmente pela dinâmica dos cortes, pelo ritmo e pela forma como a construção sonora tenta nos colocar dentro da condição do personagem.

Um protagonista que escuta o mundo de outra forma

Niki, vivido por Leo Woodall, tem uma audição fora do comum. Em um primeiro momento, pela forma como o filme apresenta suas dificuldades de convívio e suas reações ao ambiente, cheguei a pensar que o personagem pudesse ser autista. Mas, ao longo da trama, entendemos melhor o que realmente atravessa sua vida: ele não apenas escuta mais do que os outros, ele sofre com isso.

É quase como se fosse “alérgico ao som”.

A partir dessa condição, acompanhamos as dificuldades de Niki para existir em um mundo barulhento demais. E é aí que O Afinador encontra uma de suas melhores escolhas: o som não funciona apenas como elemento técnico, mas como linguagem narrativa. O filme tenta fazer com que o público sinta, mesmo que por alguns instantes, o incômodo, a intensidade e o peso de viver com uma percepção auditiva tão extrema.

Esse cuidado aparece durante toda a obra, mas fica ainda mais perceptível no encerramento, quando a construção sonora ganha uma força emocional maior.

O Afinador não é exatamente um filme de ação, nem apenas um romance, nem totalmente uma aventura criminal. Ele mistura um pouco de cada coisa. E essa mistura faz parte do charme da obra.

No meu ponto de vista, o final de O Afinador é muito bem resolvido. Ele cria um gancho com uma das primeiras cenas do filme e fecha a história de uma maneira coerente com aquilo que foi construído desde o início.

Essa sensação de fechamento ajuda bastante a experiência. Mesmo com alguns pontos que poderiam ser mais fortes, o filme termina de um jeito satisfatório.

O longa talvez não seja perfeito e nem aprofunde todas as camadas que apresenta, mas tem ritmo, boas ideias e uma construção sonora que realmente chama atenção. Leo Woodall sustenta bem o personagem, e a história consegue manter o interesse até o fim.

Deixo aqui minha recomendação: assista O Afinador, a partir do dia 11/06 nos cinemas.

Nota: 3/5

Trailer Oficial:

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