Em 2019, um projeto de longa-metragem ainda sem elenco definido passou pelo Curitiba_Lab, o laboratório de desenvolvimento do Olhar de Cinema. Era um roteiro. Sete anos depois, esse roteiro virou A Margem do Rio e saiu do Festival de Locarno com o Prêmio Especial do Júri da Competição Internacional.

Essa história merece ser contada por um motivo simples: quase ninguém entende quanto tempo e quantas mãos existem entre uma ideia e um filme premiado na Europa. E parte dessas mãos estava em Curitiba.
Sete anos entre a ideia e o prêmio
Matheus Farias e Enock Carvalho, os diretores, trabalharam no projeto por mais de seis anos antes de conseguirem filmar. Durante esse período, o roteiro circulou por uma sequência de laboratórios e mercados:
Curitiba_Lab, Olhar de Cinema, Curitiba, 2019. Laboratório de Roteiros Novas Histórias, Sesc/Senac. BrLab Features, São Paulo. Catapulta, México. Cinéma en Développement, Toulouse, França.
Depois vieram as filmagens, entre julho e setembro de 2025 no Recife, com cerca de 150 profissionais entre equipe e elenco. E mais oito meses de pós-produção.
Faz a conta: 2019 a 2026. Um filme premiado em Locarno em agosto de 2026 começou a ser lapidado numa sala em Curitiba sete anos antes.
O que é um laboratório de roteiro
Laboratório de desenvolvimento não é curso. É um espaço onde um projeto ainda em estágio inicial é apresentado a consultores, produtores e agentes de mercado, que apontam problemas de estrutura, de personagem, de viabilidade. O roteiro sai de lá diferente de como entrou.
O Curitiba_Lab, do Olhar de Cinema, faz parte dessa engrenagem nacional. E o caso de A Margem do Rio mostra bem o papel dela: um projeto de dois diretores estreantes, de Pernambuco, entrou num laboratório curitibano e terminou numa das principais competições de cinema de autor do mundo.
Quando alguém pergunta para que serve festival de cinema numa cidade como Curitiba, essa é a resposta. Não é só exibir filme pronto. É ajudar a existir filme que ainda não existe.
O caminho que um filme brasileiro percorre
Simplificando para quem nunca viu isso de perto:
- Ideia e roteiro, escrito e reescrito por anos
- Laboratórios de desenvolvimento, como o Curitiba_Lab, onde o projeto é testado
- Mercados e pitchings, onde produtores e fundos são procurados
- Captação de recursos, nacional e internacional
- Filmagem, no caso aqui dois meses e 150 pessoas
- Pós-produção, aqui cerca de oito meses
- Estreia em festival, que é onde a carreira comercial começa
- Distribuição, que para A Margem do Rio ainda não tem data no Brasil
E Curitiba nessa história
O Olhar de Cinema é o festival internacional de cinema de Curitiba, e o Curitiba_Lab é seu braço de desenvolvimento de projetos. Não é o único caso de projeto que passou por ali e cresceu, mas é provavelmente o mais visível dos últimos anos.
Para a cidade, isso é um dado concreto sobre o que a política cultural local produz quando funciona: não só plateia, mas obra.
Perguntas frequentes
O que é o Curitiba_Lab? É o laboratório de desenvolvimento de projetos do Olhar de Cinema, festival internacional de cinema de Curitiba, onde roteiros em estágio inicial recebem consultoria de mercado.
A Margem do Rio passou por Curitiba? Sim. O projeto participou do Curitiba_Lab, do Olhar de Cinema, em 2019, sete anos antes da premiação em Locarno.
Quanto tempo levou para o filme ficar pronto? Os diretores trabalharam mais de seis anos no projeto antes de filmar, entre julho e setembro de 2025, seguidos de cerca de oito meses de pós-produção.
Quem financiou A Margem do Rio? Ancine via Fundo Setorial do Audiovisual, Funcultura de Pernambuco, Projeto Paradiso, Hubert Bals Fund do Festival de Rotterdam e World Cinema Fund ligado à Berlinale.





