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Teatro

“Sidarta” chega ao Festival de Curitiba 2026: monólogo de Angel Ferreira indicado ao Prêmio Shell vira “teatro medicina”

  • fevereiro 27, 2026
  • Sarah Chanan

“Sidarta” não é só um monólogo inspirado em um clássico. Ele virou, na prática, um daqueles casos raros em que o espetáculo passa a existir também fora do palco: como história de mobilização, de presença e de comunidade. A virada começou quando Angel Ferreira (antes conhecido como Igor Angelkorte) publicou um desabafo após uma sessão com apenas 12 espectadores e o vídeo acabou impulsionando a procura do público nas apresentações seguintes.

Sidarta - Festival de Curitiba 2026 Foto: Carlos Pitanga
Sidarta – Festival de Curitiba 2026 Foto: Carlos Pitanga

De lá pra cá, o solo ganhou corpo em temporadas no Rio e circulação fora do eixo, e agora entra em uma vitrine que importa para o teatro nacional: o Festival de Curitiba 2026

Indicado ao Prêmio Shell (Iluminação)

O “carimbo” que ajudou a consolidar o fôlego do espetáculo foi a indicação ao 35º Prêmio Shell de Teatro (temporada 2024) na categoria Iluminação, assinada por João Gioia e Renato Livera.

E vale deixar a informação redondinha: foi indicado, mas não venceu. No júri do Rio de Janeiro, o prêmio de Iluminação da 35ª edição ficou com Adriana Ortiz, por “Um Filme Argentino”, conforme o histórico oficial de vencedores do Prêmio Shell.

Do que se trata “Sidarta”

O espetáculo é livremente inspirado no romance “Sidarta”, de Hermann Hesse (o teatro destaca o autor como vencedor do Nobel de Literatura) e ambienta a jornada do personagem na Índia no período do Buda histórico.

A travessia é direta e humana: Sidarta deixa a casa do pai brâmane com Govinda, passa pelos samanas (ascetas), encontra o Buda, se afasta de doutrinas, cai no desejo e no materialismo até voltar ao essencial, guiado por um barqueiro que vira mestre e amigo.

Existe um motivo bem contemporâneo para “Sidarta” funcionar como “teatro medicina”: ele encosta em perguntas que ficaram mais altas no pós-pandemia, sentido, pertencimento, silêncio, reconexão. Em entrevistas e perfis, o próprio Angel relaciona o projeto a esse período de confusão e busca, e a repercussão do vídeo sobre plateia vazia virou parte do subtexto público da obra: o teatro também precisa de encontro e presença para existir.

E a forma do espetáculo reforça isso. Críticas e materiais de divulgação descrevem a montagem como um solo de alta exigência, sustentado por ritmo interno, travessia de narrador e personagens e uma encenação mais enxuta, o que ajuda a explicar por que a iluminação foi parar no radar do Shell.

“Sidarta” no Festival de Curitiba 2026

O Festival de Curitiba 2026 acontece de 30 de março a 12 de abril de 2026.
E “Sidarta” está na programação com Angel Ferreira, em duas apresentações:

Ingressos: R$ 85 (inteira) (informação divulgada nos canais do Festival)

Quando: 09 e 10 de abril, às 18h30

Onde: Teatro José Maria Santos

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