Para quem está lendo esta matéria na data da publicação, sabe que Curitiba está vivendo dias intensos de cinema com o Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba. Mas, entre uma sessão e outra do festival, fiz uma pequena escapada para assistir em IMAX o filme Dia D, novo suspense de ficção científica de Steven Spielberg.

E, assim, vamos combinar: que Spielberg é um mestre do cinema, todo mundo já sabe. Mas em Dia D, seu novo filme de gênero com temática alienígena, ele reforça algo que talvez nunca tenha deixado de ser verdade: Spielberg sabe fazer ficção científica como poucos.
Dia D acompanha um grupo que tenta revelar ao mundo que seres alienígenas existem e que, há mais de 70 anos, o governo americano estaria escondendo essa verdade da população. No caminho, entram temas como engenharia reversa, abatimento de OVNIs, tortura de seres não humanos e uma rede de poder interessada em manter tudo em segredo.
No centro da trama está Dr. Daniel Kellner, vivido por Josh O’Connor, um especialista em segurança cibernética que descobre provas de uma conspiração mantida por décadas. Ao lado de Margaret Fairchild, personagem de Emily Blunt, uma meteorologista de TV com uma conexão misteriosa com os alienígenas, ele parte em uma missão perigosa para expor a verdade para oito bilhões de pessoas.
Daniel trabalhava sob o comando rígido de Noah Scanlon, personagem de Colin Firth, um líder corporativo que funciona como vilão da história com a dose certa de caricatura. Ele não é sutil, mas também não precisa ser. Em um filme que fala sobre segredos gigantescos, governos, corporações e manipulação em escala mundial, essa presença mais marcada combina com o tom da narrativa.
O longa começa de forma frenética, com Daniel já fugindo das autoridades ao lado da namorada Jane, interpretada por Eve Hewson. Aos poucos, seu caminho se cruza com o de Margaret, e é nesse encontro que o filme encontra uma de suas partes mais fortes.
Emily Blunt segura algumas das melhores cenas do filme
É impossível falar de Dia D sem destacar Emily Blunt. Sua personagem, Margaret Fairchild, é uma meteorologista que se vê atravessada por algo que não entende completamente. E Blunt entrega uma atuação simplesmente incrível, segurando suas cenas com uma mistura de tensão, fragilidade, adrenalina e estranhamento.
Em uma das sequências mais importantes do filme, sua personagem fala em uma linguagem não humana. É uma cena que poderia facilmente cair no exagero, mas funciona justamente porque a atriz entrega verdade para um momento que, em outras mãos, poderia parecer artificial.
A construção sonora também ajuda muito. A forma como a voz dela se transforma, misturada ao desenho de som, cria uma sensação matemática, estranha e ao mesmo tempo quase acolhedora. Não é apenas assustador. É opressor. É como se o filme tentasse colocar o público diante de uma comunicação que não foi feita para o nosso entendimento completo.
Também preciso abrir um parêntese para Colman Domingo. No filme, ele interpreta Hugo Wakefield, um personagem idealista e essencial para o grupo que quer revelar a verdade ao mundo. E aqui vale um adendo muito pessoal: Colman tem uma capacidade absurda de criar personagens diferentes em cada atuação.
Confesso que ainda carrego um rancinho da participação dele em Fear The Walking Dead, não pelo ator, mas pelo personagem Victor Strand, que me fez passar muita raiva. Em Dia D, ele aparece com outra energia, outro peso e outra função dentro da história.
O momento certo para falar de OVNIs
Dia D chega em um momento curioso. Nos últimos anos, o debate sobre OVNIs, UAPs e possíveis acobertamentos voltou a circular com força no imaginário público. Seja por audiências oficiais, documentos, entrevistas ou teorias que viralizam nas redes, o assunto parece ter saído um pouco daquele canto de “coisa de maluco” e voltado para uma zona de curiosidade coletiva.
Inclusive, na sessão em IMAX em que assisti, esse era praticamente o assunto da sala. Antes do filme começar, não se falava em outra coisa. E isso ajuda a experiência. Dia D se alimenta justamente desse clima em que ficção, paranoia, crença e curiosidade parecem se misturar.
Os temas mídia, religião e guerra aparecem ao longo do filme, mas não são explorados tão profundamente, ainda assim, eles funcionam como atalhos para a principal tese de Spielberg: a força incalculável de testemunhar algo incrível.
Veredito
Dia D é um suspense de ficção científica que reforça a habilidade de Steven Spielberg em construir espetáculo, tensão e encantamento dentro de uma mesma obra. O filme não aprofunda todos os temas que levanta, e talvez algumas discussões sobre religião, mídia e guerra pudessem render ainda mais. Mas, mesmo assim, ele entrega uma experiência forte, visualmente poderosa e muito envolvente.
Emily Blunt está excelente, Josh O’Connor funciona muito bem como protagonista em fuga, Colin Firth abraça o vilão com a dose certa de exagero e Colman Domingo, mais uma vez, mostra como consegue ocupar a tela com personalidade.
No fim, Spielberg sabe o que está fazendo. E, com Dia D, carimba novamente seu nome como um dos maiores diretores da história do cinema.
Nota: 4,5/5
Trailer Oficial:






